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O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA contrata consultoria para o desenvolvimento de Projeto de Cooperação Técnica com objetivos de identificar as melhores práticas para uma boa nutrição, um bom alojamento, uma boa saúde, expressão de comportamento apropriados e estados mentais positivos para pequenos ruminantes no contexto da criação, transporte e abate.

O profissional também deverá disseminar as melhores práticas por meio da elaboração de materiais de referência e capacitação de multiplicadores para criação de pequenos ruminantes destinados a produção de leite e carne, visando promover a sustentabilidade e a saúde.

Os interessados deverão apresentar seu interesse em participar do processo seletivo até o dia 18 de outubro de 2020, pelo site https://www.iica.org.br/pt/node/75

Serviço:

CONTRATAÇÃO DE CONSULTORIA PESSOA FÍSICA N° 074/2020

Data Limite para Manifestação de interesse 23:59 de 18/10/2020

Projeto de Cooperação Técnica BRA/IICA/16/001 - MODERNIZAÇÃO ESTRATÉGICA - MAPA

Para participar deste processo, o usuário deve cadastrar-se no site: https://www.iica.org.br/pt/node/75

Experiência: experiência mínima de 3 (três) anos no desenvolvimento de materiais didáticos e capacitações em boas práticas agropecuárias e bem-estar animal.

Vigência: 18 (dezoito) meses

 

Assessoria de Comunicação Social do CRMV-DF, com informações do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura - ICAA.

23 de setembro de 2020

A campanha comemorativa do dia do médico-veterinário de 2020 tem o tema principal a inserção do profissional na Saúde Única e a sua atuação na promoção do bem-estar animal, ambiental e da saúde humana. O objetivo é esclarecer a população sobre quais os ramos que ele pode atuar, da produção de alimentos de origem animal, como carne, leite, ovos a produção de vacinas para seres humanos e animais.

Segundo o médico-veterinário Lucas Edel Donato, que trabalha na área técnica das leishmanioses, no Ministério da Saúde, esclarece que este profissional desempenha um papel importante no planejamento e na execução de projetos referente a Saúde Única e explica também um pouco do seu trabalho. “No Ministério da Saúde existe um departamento de doenças transmissíveis, e dentro deste departamento existe várias coordenações, uma delas cuida de doenças vetoriais, aquelas que são causadas por vetores (mosquitos). Nós entendemos que algumas dessas doenças são zoonoses, ou seja, transmitidas de animais para humanos. Nós sabemos que há uma necessidade de uma médico-veterinário para atuar neste cenário”.

O trabalho do médico-veterinário, vai no desenvolvimento de estratégias e de políticas públicas de saúde para prevenir doenças como a Raiva, a Leishmaniose, esporotricose, doença de chagas, entre outras.

Lucas Edel explica como o planejamento feito pela equipe que ele participa chega até o cidadão. “Tomando como exemplo as políticas públicas para a raiva: temos a imunização dos animais (vacinação) e fazer bloqueio quando é registrado um caso. Outro exemplo seria sobre a leishmaniose: a gente faz o diagnóstico da doença e também realiza inquéritos sorológico nos bairros. ”

Ele explica também que, quando todas as informações são reunidas tanto das operações em campo, quanto do planejamento é possível trabalhar na diminuição da incidência das doenças. “A gente faz análise para verificar a cobertura vacinal para a raiva, analisa e identifica a quantidade de casos de esporotricose humano que está ocorrendo para ser feita uma vigilância de gatos e dos animais contaminados a sua volta, para implementar ações para tentar conter o aumento da doença”.

O médico-veterinário e os demais profissionais da saúde, dentro do SUS, constroem um sistema multidisciplinar de observação, planejamento, ações de prevenção e enfrentamento de várias doenças. Lucas destaca que “não existe um profissional melhor, mas cada um tendo a sua representatividade”.

Lucas Edel Donato é formado pela Universidade de Vila Velha-ES, trabalha no Ministério da Saúde e também é professor universitário do curso de medicina veterinária do Centro Universitário UniCEUB em Brasília.

Assessoria de Comunicação Social do CRMV-DF

O médico-veterinário também cuida de você é o mote da campanha que tem a Saúde Única como tema. Objetivo é chamar atenção da sociedade para a atuação do profissional em questões ligadas à saúde pública, mostrando que a Medicina Veterinária vai muito além da causa animal

Você sabia que a saúde humana também depende da ação do médico-veterinário? Isso mesmo! Embora ainda conhecida como a parte da Medicina que cuida dos animais, a Medicina Veterinária trata também de alimentos, solo, água, saúde pública, genética, doenças que circulam nos animais e atingem os homens – as zoonoses – e muitas outras áreas.

Regulamentada no Brasil pela primeira vez em 1933, a profissão tem múltiplas especialidades, atingindo mais de 80 áreas de atuação. Essa amplitude faz da Medicina Veterinária a vertente principal da Saúde Única, tema da campanha de 2020 do Sistema Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs) para o Dia do Médico-Veterinário, comemorado em 9 de setembro.

Lançada no dia 2 de setembro, a campanha tem como tema O médico-veterinário também cuida de você e ficará no ar até o final do ano. Será possível conferir, nos meios digitais dos conselhos regionais e federal, peças como hotsite, vídeo institucional, podcasts, depoimentos de profissionais, cards em mídias sociais e reportagens. Haverá ainda dois eventos on-line, nos dias 3 e 4 de novembro: o II Simpósio Internacional de Saúde Única e o IV Simpósio Paranaense de Saúde Única, ambos com o tema Água: O Sangue Terra e com inscrição gratuita.

Construída de modo colaborativo entre os 27 conselhos regionais e o CFMV, a campanha de 2020 abrange informações e personagens que esclarecerão como o trabalho do médico-veterinário atua de forma integrada às demais áreas da saúde para a garantia da saúde pública, animal e ambiental. A iniciativa é fundamentada em quatro temas principais: Covid-19; Segurança de Alimento; Controle de Zoonoses; e Meio Ambiente.

Os personagens, médicos-veterinários brasileiros, concederão depoimentos sobre suas áreas de atuação na Saúde Única, seu dia a dia e compartilharão aspectos ainda desconhecidos por parte da sociedade, mostrando o cenário da pesquisa na saúde animal para a solução de doenças também humanas.

Covid-19 e Zoonoses

Segundo o médico-veterinário Hélio Autran, “a destruição ambiental amplia as possibilidades de infecção de pessoas por microrganismos presentes em animais que antes não tinham contato com humanos, seja por transmissão direta ou por vetores (...)”. Professor titular do Departamento de Ciências Clínicas da Oregon State University, além de diretor e membro do corpo clínico do hospital veterinário da instituição, Autran coleta informações sobre a relação entre a covid-19 e os animais de companhia e compartilha suas descobertas e análises nas suas redes sociais e site pessoal.

Enquanto a economia mundial praticamente ficou paralisada, as pesquisas científicas dispararam em 2020, tentando encontrar respostas para neutralizar a ação da doença, a qual muitos acreditam ter-se iniciado por contaminação vinda de um animal silvestre. O médico-veterinário Nélio Batista de Morais, presidente da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária (CNSPV/CFMV), lembra que, geralmente, essas doenças têm potencial de atingir muita gente ao mesmo tempo, exatamente o que estamos assistindo com a covid-19.

Outras doenças que preocupam os profissionais de Medicina Veterinária são aquelas que atingem rebanhos, tema do depoimento da médica-veterinária Karina Diniz Baumgarten. Há 11 anos, ela coordena o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), em Santa Catarina. Além de afetar o gado, essas enfermidades podem infectar humanos, porém ensinar isso levou tempo. “No início, o desafio era fazer as pessoas entenderem que a brucelose era uma zoonose e que os produtores e trabalhadores das fazendas corriam risco de se infectar. Como não havia diagnóstico em humanos, era normal que eles não acreditassem”, conta Karina.

A professora doutora Paula Helena Santa Rita, que leciona e pesquisa em uma faculdade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, reúne informações sobre o impacto da agropecuária no meio ambiente e de como o médico-veterinário pode ser peça-chave não apenas para a sanidade dos rebanhos, como estamos acostumados a exigir, mas também como gestor de sustentabilidade de onde trabalha.

O desequilíbrio ambiental provoca, por exemplo, infestação de insetos, como mosquitos, os quais podem transmitir dengue, zika, malária e chikungunya, entre outras doenças. O trabalho do médico-veterinário entra aí para combater as zoonoses, doenças transmitidas aos homens por animais.

Alimento seguro

E quem lembra do médico-veterinário quando está comendo? É a atuação desse profissional em granjas, frigoríficos, supermercados, matadouros e onde houver produtos de origem animal que garante a qualidade dos alimentos. Atuando há 13 anos na área de Inspeção Higiênico-Sanitária de Produtos de Origem Animal, Isabelle Campello explica toda a tecnologia que possibilita a segurança das carnes, ovos, leite, mel e outros produtos que chegam à nossa mesa. Ela aborda os conceitos de food safety, food defense e food fraud.

Nas últimas décadas, o Brasil despontou como uma potência agropecuária, produzindo para alimentar a população interna e exportar grãos e proteínas. Mesmo com a retração no comércio mundial, dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontam que o setor tem sido considerado essencial para manter o fornecimento de alimentos à população e o único a registrar crescimento consistente durante a pandemia.

Saúde Única

Nesse âmbito, a figura do médico-veterinário se destaca como o profissional mais qualificado para implantar e coordenar ações de Saúde Única. O Sistema CFMV/CRMVs tem insistido em alertar profissionais, gestores e população sobre o impacto positivo da atuação dele para a saúde de todos.

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É justamente dessa totalidade que trata a Saúde Única: a saúde dos seres vivos e do planeta. O conceito de One Health envolve conhecimentos técnico-científicos, estratégias de enfrentamento às causas que provocam zoonoses e decisões políticas de saúde pública. A atuação do médico-veterinário na Saúde Única é exercida desde os primórdios, na origem da Medicina Veterinária, prevenindo, controlando ou erradicando doenças, garantindo a saúde animal e a qualidade e inocuidade dos alimentos de origem animal para a população.

Pelas redes sociais, sites oficiais e veículos de notícias, em breve, os brasileiros poderão conhecer um pouco mais sobre o amplo mundo da Medicina Veterinária, a área da ciência que cuida dos animais, do meio ambiente e cuida também de você.

Faça parte da campanha

Você é médico-veterinário e tem algo para contar sobre sua atuação na Saúde Única? Compartilhe conosco! Queremos mostrar a todos a importância desse profissional para a saúde humana, animal e ambiental. Grave um vídeo (pode ser pelo celular, na horizontal, ou seja, com a câmera deitada) de no máximo um minuto de duração e conte sua história. Encerre com a frase “o médico-veterinário também cuida de você” e poste de forma aberta (pública) nas redes sociais, usando #somossaudeunica.

É uma oportunidade de mostrar a todos o quanto a presença dos médicos-veterinários é ampla e relevante na vida das pessoas. Os vídeos ficarão hospedados no hotsite da campanha, no Portal CFMV, e poderão ser compartilhados nas redes sociais dos CRMVs e do CFMV.

No hotsite, também é possível baixar as peças publicitárias da campanha para divulgação. Empresas, profissionais e todos os cidadãos podem divulgá-las. Há peças para capa e avatar das redes sociais, além de material para mídias off-line (jornal e revista).

Embarque nessa campanha! O MÉDICO-VETERINÁRIOTAMBÉM CUIDA DE VOCÊ!

Assessoria de Comunicação do CFMV

Estabelecido há 18 anos nos Estados Unidos, o médico-veterinário Hélio Autran de Morais é referência quando o assunto é cardiologia e medicina interna, áreas em que se especializou. Entretanto, seu interesse pelos temas da Medicina Veterinária é diverso e a saúde única é um deles.

Graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o gaúcho é, atualmente, professor titular do Departamento de Clinical Sciences da Oregon State University, além de diretor e membro do corpo clínico do hospital veterinário da instituição. Desde março, coleta informações que reúne no artigo Covid-19 e os Animais de Companhia, de modo a atualizar-se e aos colegas sobre a relação entre a doença e os pets, compartilhando suas descobertas e análises nas redes sociais. Para ele, o surgimento do vírus SARS-CoV-2 é um exemplo clássico do que a saúde única representa.

“O novo coronavírus veio, provavelmente, de morcegos, talvez tendo um hospedeiro intermediário, que em função de alterações ambientais e do ambiente propício no mercado da cidade de Wuhan, na China, chegou às pessoas de forma patogênica. Isso mostra a saúde humana, animal e do ambiente interligadas, pois alterações nas três levaram ao surgimento de um vírus mutante causador da infecção nas pessoas”, afirma.

Enquanto acompanha a situação, Autran destaca que o conhecimento adquirido pelo médico-veterinário desde a faculdade é fundamental, não só para evitar novas pandemias como também no suporte à atual crise sanitária, pelo conhecimento de medicina de rebanho e dos próprios tipos de coronavírus, entre eles o aviário, o felino e o canino. O SARS-CoV-2 é o sétimo coronavírus conhecido e tem similaridades em termos de patogenia com o tipo felino.

“A destruição ambiental amplia as possibilidades de infecção de pessoas por microrganismos presentes em animais que antes não tinham contato com humanos, seja por transmissão direta ou por vetores. A maioria das enfermidades são transmitidas de animais a pessoas. O médico-veterinário é fundamental por conhecer essa transmissibilidade, preveni-la e aplicar o conhecimento de quem lida com diferentes espécies. Podemos antecipar muita coisa, a atual pandemia era algo que esperávamos, mas num futuro distante. Infelizmente, tudo o que temíamos aconteceu”, diz.

Mudanças velozes

Autran acompanhou surtos de parvovirose canina e uma epidemia de influenza em cães, nos Estados Unidos, e lembra que o SARS-CoV-1, em 2002, já deu uma ideia do que poderia vir. No entanto, ressalta, todo o conhecimento acumulado em epidemiologia é questionado, politizando uma crise que é sanitária.

“O debate é importante, mas a falta de uma estrutura centralizada de como se aplicar esse conhecimento falhou quando mais se precisava, em alguns países. Por outro lado, é incrível a velocidade como evoluem as descobertas sobre a doença. Diariamente, mais de 400 trabalhos relativos à covid-19 são publicados por dia, no Medline (sistema on-line de busca e análise de literatura médica que compõe a base de dados bibliográficos da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos). São experimentos, revisões, casos clínicos e vacinas, entre outros. Todos estão pesquisando sobre a covid-19”, assinala.

Para o médico-veterinário, talvez a vacina não seja a bala de prata que vai acabar com a pandemia. Ele recorda já ter havido uma imunização contra a coronavirose felina que, por causar efeitos colaterais severos, foi retirada do mercado.

“Óbvio que os imunologistas conhecem os estudos anteriores em Medicina Veterinária, porém o conhecimento do médico-veterinário segue fundamental, assim como foi no suporte com respiradores e ventiladores veterinários para uso na linha de frente”, observa, em referência à parceria entre a Academia Brasileira de Medicina Veterinária Intensiva (BVECSS) e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com apoio do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Na opinião de Autran, foi um passo importante para o reconhecimento dos médicos-veterinários na saúde. “Temos profissionais capacitados e vale lembrar que a Medicina Veterinária sanitária é muito forte, no Brasil. A pandemia aproximou clínicos de pequenos animais e médicos”, avalia.

Profissão em mudança

O impacto da covid-19 para os profissionais do campo, analisa Autran, é muito menor do que no hospital, por fatores diversos: animais de criação são pouco suscetíveis à doença, têm pouco contato com humanos, o qual, geralmente, ocorre em áreas externas e dificilmente há muitas pessoas num mesmo ambiente, ao mesmo tempo. Ou seja, as mudanças são mais gerais, como a necessidade do uso de EPIs e o distanciamento físico.

Já o ambiente hospitalar foi profundamente afetado, pois envolve muita gente próxima a maior parte do tempo. Por isso, no hospital veterinário em que é gestor foram implementadas mudanças sem previsão de alteração, embora haja planos de flexibilizar as medidas em situações específicas. A anamnese continuará sendo por telefone e a recepção não mais funcionará como sala de espera, tudo para que os proprietários permaneçam o mínimo possível no ambiente hospitalar – no momento, eles nem têm permissão de ingressar no local. Autran imagina, ainda, que a arquitetura desse tipo de estabelecimento terá de mudar para atender a essas novas necessidades, com pé-direito mais alto e ventilação natural. Em momentos como coleta de sangue ou cirurgias, o distanciamento físico é impossível, mas destaca, com organização é viável reduzir o tempo de contato entre as pessoas

“São alterações culturais, como naturalizar o uso de máscaras, pois essas doenças permanecerão endêmicas. Ninguém sabe como será o mundo em um ou dois anos. O que se sabe é que será diferente. Não será só a profissão que deverá ser flexível, o mundo inteiro será. Não existe um mundo pós-covid, mas um mundo com covid”, observa.

Clínica veterinária e saúde única

É neste mundo em mudança que Autran reforça o trabalho do clínico de animais como um dos tripés da saúde única. Não só pela prevenção a zoonoses, mas pelo fato de que o convívio com animais de estimação melhora a saúde e qualidade de vida de tutores. Há estudos, diz, que comprovam que a pressão arterial dos humanos baixa quando se aproximam de seus pets. Ele reforça, ainda, que a guarda responsável evita que pessoas sejam mordidas por animais domésticos ou, numa fuga, além de atropelados, causem acidentes de trânsito.

Por fim, um dos novos focos da clínica de pequenos, segundo ele, é o bem-estar animal. Estimular um ambiente livre de estresse, ansiedade e medo melhora a interação entre pessoas e animais e pode fazê-los viver mais. “Mesmo que não perceba, buscar a prática ideal é uma maneira de o médico-veterinárioaplicar a saúde única. É preciso, em tudo o que fazemos, sempre considerar a interseção entre as saúdes humana, ambiental e animal”, assinala.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do CFMV

O espectro de atuação do médico-veterinário é muito amplo, especialmente na área de saúde pública. Pela falta de informação e de conhecimento por parte de políticos, personalidades e profissionais de imprensa sobre esse vasto campo de exercício profissional, acabou causando perplexidade a nomeação do presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal (CRMV-DF), o médico-veterinário Lauricio Monteiro Cruz, para assumir o Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde.

No entanto, o mesmo cargo já vinha sendo ocupado, de forma interina, por um médico-veterinário, o servidor de carreira do ministério Marcelo Yoshito Wada, com 22 anos de experiência profissional, o que não era tratado com estranheza dentro do meio científico, nem pelas equipes multidisciplinares do ministério. Inclusive, o departamento conta com outros 14 médicos-veterinários.

Lauricio, servidor público do Distrito Federal, chega ao cargo com 31 anos de atuação, na área de políticas públicas e no Sistema Único de Saúde (SUS). Seu desafio é contribuir para as políticas de prevenção e controle de doenças transmissíveis; de notificação de enfermidades; de investigação e vigilância epidemiológica; de orientação e supervisão da utilização de imunobiológicos; de investigação de surtos e epidemias, em especial doenças emergentes; de programação de insumos na área de Vigilância em Saúde; e suporte técnico aos estados e municípios. Estarão também sob a sua responsabilidade a coordenação dos principais agravos à saúde, como a dengue e a malária, duas patologias de grande magnitude no Brasil.

Com o respeito merecido aos demais profissionais da saúde, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) tem a convicção de que os médicos-veterinários também são plenamente competentes para dirigir o departamento, que deve pautar suas ações na colaboração interdisciplinar para atender às demandas da sociedade.

Saúde Pública

O médico-veterinário cuida de você. Nem todo o mundo sabe, mas 62% dos patógenos humanos conhecidos são transmitidos por animais, além disso, 75% das doenças emergentes tiveram origem na fauna silvestre (pág. 13, edição 84 da Revista CFMV). De acordo com a Lei nº 5517/1968, o estudo e a aplicação de medidas de saúde pública no tocante às doenças de animais transmissíveis ao homem, as zoonoses, é uma das funções do médico-veterinário, um profissional de saúde reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) desde 1998.

Como consequência, médicos-veterinários fazem parte das equipes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), desde 2011, realizando ações de educação em saúde e visita aos lares brasileiros para prevenir e diagnosticar o risco à saúde das zoonoses, como raiva, leptospirose, brucelose, tuberculose, dengue e febre amarela, dentre outras doenças que têm animais como hospedeiros ou vetores.

SAÚDE ÚNICA

Estudos recentes publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela revista Science apontam a Saúde Única – união de conhecimentos entre as saúdes pública, veterinária e ambiental – como abordagem para prevenir e responder a novos surtos de doenças zoonóticas e pandemias. O médico-veterinário é o profissional que reúne essas competências e sua atuação vai muito além do cuidado com a saúde e o bem-estar dos animais e dos atendimentos em clínicas, hospitais e consultórios veterinários.

Capacitado para as atividades de inspeção e de vigilância sanitária dos produtos de origem animal consumidos pela população, o médico-veterinário trabalha para garantir alimentos saudáveis em nossas mesas, mas, ao mesmo tempo, faz análise do solo e da água, visando à sustentabilidade ambiental nos ambientes de produção animal. Seu conhecimento em vigilância epidemiológica contribui em situações de surtos alimentares e outros agravos, transmissíveis ou não, no controle de zoonoses emergentes e reemergentes e nas campanhas de imunização. Exerce atividades em laboratórios, na pesquisa, no diagnóstico, na produção de imunobiológicos e participa da produção de vacinas e medicamentos de uso humano e animal.

A constante ameaça de novas pandemias originadas na interface homem-animal, como a covid-19, demonstra a necessidade de colaboração intersetorial, especialmente em vigilância, gerenciamento de riscos, biossegurança e comunicação. Na batalha contra a covid-19, em 2020, o médico-veterinário foi incluído pelo Ministério da Saúde entre os profissionais de saúde que poderiam atuar como voluntários da ação “O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde”. Segundo o ministério, 50% dos médicos-veterinários atuantes se cadastraram para participar e ajudar o país no esforço nacional de enfrentamento à pandemia

“A MEDICINA VETERINÁRIA CURA A HUMANIDADE”

Assim como Lauricio, outros médicos-veterinários trabalham para configurar esse novo contexto de Saúde Única. É o caso do médico-veterinário Luis Eduardo Cunha, vice-presidente do Instituto Vital Brazil (IVB). Ele coordena uma equipe multidisciplinar, que conta com mais oito médicos-veterinários e trabalha na pesquisa com o soro produzido a partir de plasma de cavalos para tratamento e combate à doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). O instituto já anunciou o depósito de patente do novo soro para combater a covid-19.

Na Universidade São Paulo (USP), um estudo coordenado pelo médico-veterinário Marco Antonio Stephano estuda uma vacina por spray nasal contra a covid-19. A equipe desenvolveu uma nanopartícula, a partir de uma substância natural, na qual foi inserida uma proteína do vírus. Uma vez administrada, nas narinas, espera-se que o corpo produza anticorpos presentes na saliva, na lágrima, no colostro e em superfícies do trato respiratório, intestino e útero. “Além de inibir a entrada do patógeno na célula, a vacina impedirá a colonização deles no local da aplicação”, explica Stephano.

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1996 foi concedido ao médico-veterinário australiano Peter C. Doherty, "por suas descobertas a respeito da especificidade da defesa imunológica mediada por células”.

Tudo isso mostra que Louis Pasteur estava certo quando dizia: “A Medicina cura o homem, a Medicina Veterinária cura a humanidade." Os médicos-veterinários são profissionais de saúde e, pelo seu conhecimento generalista, também podem ocupar cargos de gestão, atuando como secretários, diretores, coordenadores e gerentes de várias áreas estratégicas do comando da saúde, no Brasil e no mundo. O novo diretor do Ministério da Saúde estará assessorado por uma equipe multiprofissional de técnicos do órgão, devidamente capacitados a dar o suporte científico necessário para manter o país como referência mundial na gestão de saúde, imunização, vigilância e controle de doenças.

Conselho Federal de Medicina Veterinária